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01 – Há quanto tempo você atua no Movimento Espírita?
Sou da terceira geração de uma família espírita, mas iniciei de fato a estudar a Doutrina Espírita em 1980 e comecei a me envolver com as atividades do Movimento Espírita a partir de 1982, portanto há aproximadamente 24 anos.

02 – O que levou você a fundar uma associação de estudos e pesquisa na Paraíba?
A Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa nasceu em função da necessidade de formalizar a personalização de um pequeno grupo de estudos que aspira colaborar na divulgação e na evolução do Espiritismo, despido do viés religioso que tem cristalizado seu progresso. Para tanto não se pode prescindir do estudo e da pesquisa.

03 – A entidade já tem uma programação de estudos e pesquisas já definida?
O estudo é permanente e nosso intuito é rever a obra de Kardec, anotando toda e qualquer pendência para resolver no devido tempo. Paralelamente buscamos conexões com os avanços científicos. A pesquisa é um objetivo. O grupo ainda está se estruturando para adquirir as condições ideais para a experimentação.

04 – Qual o aspecto da Doutrina Espírita a ASSEPE vai aprofundar suas pesquisas?
Não há, no nosso entendimento, um aspecto do Espiritismo que possa ser estudado isoladamente. Toda e qualquer conclusão científica trará concepções filosóficas com suas respectivas conseqüências morais. Por outro lado as especulações filosóficas precisam buscar a comprovação na ciência para que se sustente e desenvolva. Entretanto, partindo do princípio que o Espiritismo é uma ciência de observação que trata das relações com os espíritos, nos preparamos para melhor entender tal interação, com a participação de encarnados e desencarnados.

05 – A ASSEPE tem encontrado alguma dificuldade para interagir com o Movimento Espírita Paraibano?
Como a ASSEPE não funciona como um centro espírita tradicional talvez as pessoas se assustem com a sua vocação progressista.

06 – E como delegado da CEPA em nosso Estado, você tem recebido a devida atenção?
Não creio que alguém me deva alguma atenção. Entretanto, a CEPA é vista às avessas pelo Movimento Espírita tradicional, devido a sua proposta livre-pensadora, laica e progressista que podem romper paradigmas profundamente enraizados e estruturados no mais absoluto conservadorismo. Algumas possibilidades de diálogo têm se apresentado e esperamos que a vinda de uma comitiva da CEPA ao nordeste em março (dia 19 em João Pessoa), possa desfazer qualquer mal entendido que por ignorância ou má fé tenha se difundido.

07 – Fala-se muito em “ecumenismo” e “alteridade” como propostas de alinhamento doutrinário do espiritismo com os demais segmentos religiosos brasileiros. Você acredita nessas propostas?
Prefiro não utilizar a palavra “ecumenismo” para me referir às relações do Espiritismo com as Religiões, porque pressupõe uma identidade com a qual não concordo. Antes de interagir com outros movimentos, as instituições espíritas precisam desenvolver suas inter-relações. A proposta de comunicação social da ABRADE, que se alicerça na alteridade, é louvável e tem tudo para desempenhar importantíssimo papel na participação do Espiritismo na sociedade e das organizações espíritas entre si, desde que se consiga superar o personalismo e o fascínio do poder.

08 – Em sua opinião, a Doutrina dos Espíritos está pronta e acabada ou precisa ser repensada e atualizada racionalmente?
Este deveria ser o norte do Movimento Espírita. Se concluíssemos que nada mais precisamos aprender, estaríamos nos condenando à estagnação. A idéia de que devemos aguardar as orientações dos espíritos é ridícula e cheira a fundamentalismo religioso. Os espíritos são nossos parceiros na elaboração da Doutrina Espírita, mas só se empenharão em nos auxiliar se pusermos mãos à obra e fizermos a nossa parte, tal como Kardec fez.

09 – E o processo político de “unificação” determinado pela Federação Espírita Brasileira, também precisa ser repensado e atualizado doutrinariamente?
A FEB tem uma estrutura respeitável, desempenhou e desempenha uma liderança incontestável no Movimento Espírita brasileiro e mundial, mas para ser realmente representativa deve abdicar de posturas doutrinárias contraditórias, principalmente da bandeira roustainguista, que sofre considerável rejeição, além de reformar sua organização para adquirir postura administrativa mais democrática.

10 – Sua mensagem final aos nossos leitores...
Utilizarei duas frases de Kardec para concitar os leitores ao estudo:
“Os que desejem tudo conhecer de uma ciência devem necessariamente ler tudo o que se ache escrito sobre a matéria, ou, pelo menos, o que haja de principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler o pró e o contra, as críticas como as apologias, inteirar-se dos diferentes sistemas, a fim de poderem julgar por comparação.”

"Se é certo que a utopia da véspera se torna muitas vezes a verdade do dia seguinte, deixemos que o dia seguinte realize a utopia da véspera, porém não atravanquemos a Doutrina de princípios que possam ser considerados quiméricos e fazer que a repilam os homens positivos”.

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