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No capítulo terceiro d’O Livro dos Médiuns Kardec não aborda, como à primeira vista pode parecer, o método de pesquisa que deu origem à formulação dos princípios doutrinários, mas sim o método de ensino do Espiritismo. Nele, enfatiza que “... é por experiência que dizemos consistir o melhor método de ensino espírita em se dirigir, aquele que ensina, antes à razão do que aos olhos".

Isto me leva a refletir sobre outros aspectos que têm afligido coordenadores de grupos mediúnicos no que se refere às evocações.

Outro dia apareceu na lista da CEPA a seguinte questão: Se a orientação de Kardec em O Livro dos Médiuns é que evoquemos os espíritos para sabermos o porque de provocarem perturbação ao nosso redor (item 90 do Cap. V da 2a parte), por que nas casas espíritas não existem reuniões desta categoria, sendo este assunto muitas das vezes tratado como um tabu e por que Kardec dá preferência aos médiuns escreventes e não aos psicofônicos?

Existe sim no Movimento Espírita um certo preconceito quanto às evocações, havendo, inclusive, a recomendação para que não se exerça tal prática, com a justificativa de que os espíritos que dirigem a reunião é que se encarregam de conduzir as manifestações mediúnicas de acordo com os seus critérios e a seu juízo. Entretanto, normalmente nas reuniões que têm o objetivo específico para desobsessão, há uma seleção prévia dos assuntos que devem ser tratados e pelo simples fato de haver a citação do caso e os respectivos envolvidos é como se uma forma de evocação estivesse sendo realizada. Isto quando não são pedidas as presenças dos espíritos participantes do assédio.

Outra ressalva que precisamos fazer é que os desencarnados são co-participantes dos grupos mediúnicos e, apesar de muitas vezes apresentarem melhor preparo do que nós, nada impede que do nosso lado tomemos as providências que julguemos necessárias, sempre visando o melhor aproveitamento possível, para nós e para eles.

Tantos escrúpulos diante das manifestações mediúnicas originaram-se do zelo extremado de certos dirigentes que se preocupavam com o uso indiscriminado das evocações, sem qualquer critério e cuidados tão recomendados por Kardec e pelos espíritos auxiliares da codificação. Com a proliferação dos grupos de estudos, conscientizando-se da necessidade de uma preparação mínima para formação de grupos mediúnicos, já não há necessidade de tanto acanhamento no exercício das evocações. Consideramos até que elas são necessárias na maioria das vezes, havendo um objetivo bem determinado na reunião.

Quanto à preferência de Kardec pelos médiuns de psicografia, compreende-se perfeitamente. Todo o trabalho sério deve preservar o máximo a fidelidade do texto no momento da comunicação, para que se possa fazer uma análise consciente e confiável, o que não seria possível se não houvesse um registro preciso do que fora dito. Como ainda não existiam os recursos tecnológicos que temos hoje, possibilitando a fiel gravação da voz, evidentemente a única escolha possível era a escrita, por ser o meio mais fiel. Portanto, é desejável que utilizemos sempre os melhores e mais modernos meios disponíveis para registrar as reuniões.

Hoje, havendo possibilidade, devemos utilizar filmadora, gravador digital, computador, notbook, etc. Assim, nosso trabalho de avaliação das comunicações mediúnicas ficará bastante facilitado.

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