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Hoje, como no passado e, acredito firmemente, no futuro, a estrutura familiar tem papel fundamental na formação da personalidade dos indivíduos. É, portanto, nela que está alicerçada a sociedade, pois esta vem a ser o reflexo das individualidades que a formam.

Para embasar a nossa argumentação, precisamos antes tecer alguns comentários a respeito de nós próprios, da nossa natureza, da nossa origem e do nosso destino. Ou seja, reportemo-nos à Filosofia de Sócrates, que recomenda: “Conhece-te a ti mesmo”.

A Filosofia Espírita tem em O Livro dos Espíritos os seus fundamentos, apresentando-se na sua página de abertura como Filosofia Espiritualista, que trata da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e o porvir da Humanidade.

Após uma extensa e necessária introdução, onde esclarece sobre termos, método e objeções inerentes à Doutrina que está sendo apresentada, Allan Kardec inicia os questionamentos de forma brilhante, interrogando “O que é Deus?”, marcando um alicerce inquestionável para a seqüência da exposição, ao mesmo tempo em que se afasta do antropomorfismo até então existente na concepção de Deus.

Outras questões que devem ser citadas no encaminhamento da nossa argumentação, são:

132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
166. Como pode a alma, quenão alcançou a perfeiçãodurante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
766. A vidasocial está em a Natureza?
775. Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?
919. Qual é o meiopráticomaiseficazpara se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?
Tais questões tratam da necessidade da encarnação, da evolução através da reencarnação, da necessidade da vida social e dos laços de família.

Analisando as questões apresentadas, suas respostas e respectivo desenvolvimento, concluímos naturalmente que somos os seres inteligentes da criação, eternos, cuja essência é espiritual; viemos do mundo espiritual, que é a nossa verdadeira morada; estamos na terra experimentando as vicissitudes da vida corporal para nos desenvolvermos moral e intelectualmente; voltaremos, com a morte do corpo, à pátria espiritual, onde teremos a oportunidade de analisar nossos erros e acertos, planejando novo estágio, em outro corpo, para continuar nossa evolução.
Eis o Ciclo da vida!

Mas o “Conhece-te a ti mesmo”, expresso na questão 919, não se resume apenas em saber da nossa essência, da nossa origem e do nosso destino. Envolve também a necessidade uma introspecção séria e honesta para identificarmos em nós todas as virtudes, todos os vícios, todos os erros, e assim lutarmos ininterruptamente para corrigir estes, superar outros e sublimar aquelas.

Eis a chave para a evolução espiritual!
Mas tais procedimentos só se tornam viáveis quando o indivíduo já tem consciência de suas necessidades, quando dá a devida importância para os valores morais.

Isto nem sempre é possível sem o auxílio de outros. Criado simples e ignorante, o Espírito jamais evoluiria se não tivesse as referências da vida em sociedade.

Lembremos que, na impossibilidade de o indivíduo evoluir isoladamente, a sabedoria divina coloca ao homem, em estágio na vida corporal, a necessidade da vida familiar, onde desenvolve suas faculdades com total dependência de seus ascendentes.

Aí ele tem as primeiras referências da vida corpórea, esquecido, temporariamente, das vidas precedentes. Aprende, desde os primeiros instantes de vida que a mãe responde às suas manifestações. A seguir, começa a tomar conhecimento dos demais membros da família que, depois de certa idade, passam a ter forte influência na formação do seu caráter. É neste período que a criança é mais suscetível de influência e que marca no seu íntimo todas as impressões externas que mais tarde, na adolescência e na fase adulta, se manifestarão consciente ou inconscientemente.

Em tais circunstâncias fica evidente o caráter da missão dos pais, pois cabe a eles, instrumentos do Criador, direcionar a evolução da pequena criatura.

Vale lembrar, entretanto, que a criança é um espírito em evolução e, como os demais membros da família, tem nas vidas pregressas uma história desconhecida, mas decisiva na formação da sua personalidade atual.


Tal entendimento nos recomenda comedimento nos sucessos, bem como indulgência nos insucessos que se obtenha na criação dos filhos. Entretanto, é acentuada a responsabilidade individual de cada membro na estruturação da família e, em conseqüência, da sociedade, tendo em vista que a todo instante somos referência para quem convive conosco. Cabe-nos então a constante vigilância para crescermos moral e intelectualmente, superando deficiências e redobrando esforços para vencermos as más tendências.

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