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O Espiritismo institucionalizado como religião jamais atingirá o objetivo pretendido. As idéias, a filosofia, é que estenderão seus tentáculos e se imiscuirão em todos os setores da sociedade, libertando os indivíduos do espírito de seita, do preconceito e do materialismo. Religião nenhuma liberta porque é presa à interpretação teológica, fundamentalista, por natureza dogmática.

Nós, enquanto espíritas, precisamos fazer a nossa parte, divulgando a idéia espírita o máximo que pudermos, agindo no meio social em que vivemos, sem proselitismo, sem nenhuma pretensão, mas absolutamente livre-pensadores.

Vejo com profundo respeito o trabalho realizado por pessoas que agem como espíritas fora do meio espírita e interagem como cidadãos com pessoas e instituições dos mais diversos perfis, sem fazer propaganda ostensiva. Isto não é abdicar do Espiritismo nem mascarar sua identidade. É ser espírita na sua essência, pelo que é e não pelo rótulo que porta, respeitando quem pensa diferente e privilegiando o interesse comum, como um verdadeiro humanista.

Não que desconsidere a propaganda do Espiritismo. Ao contrário, é importantíssima! Mas cada um deve procurar fazer aquilo para o que tem vocação ou buscar o objetivo que traçou para si. Se trabalharmos pela divulgação do Espiritismo fora das hostes espíritas, em diversos grupos sociais, estaremos colaborando para que suas idéias sejam mais bem absorvidas pelo homem.

Existe trabalho para todos, mesmo para os espíritas religiosos e para os religiosos espíritas com a diferença que estes deverão permanecer indefinidamente nivelados com as diversas religiões que existem no planeta. Cada uma com suas características positivas e negativas; com seus princípios, seus sacramentos, rituais e dogmas, da mesma forma útil conforme o contexto de atuação.

Aos livre-pensadores cabe o grande desafio de libertar das "latrias" a humanidade. Aos espíritas livre-pensadores cabe antes extirpá-la do seio do próprio movimento espírita.

Não será, entretanto, através de qualquer instituição ou outra denominação que o Espiritismo cumprirá seu objetivo de disseminar na sociedade a verdadeira natureza humana com todas as suas lógicas conseqüências que nos lançarão ao nível dos mundos mais evoluídos.

Qualquer iniciativa no sentido de formalização de instituições ou denominações diferentes, com interpretações próprias do Espiritismo, não colaborará mais do que qualquer movimento independente. Estes terão ainda o beneplácito das ciências acadêmicas, o que facilita a formação dos elos necessários para um saudável e produtivo intercâmbio.

As denominações restringem o pensamento. O mundo das palavras é fascinante, mas nunca poderá se aproximar do mundo das idéias. Quando optamos por priorizar a importância da palavra ou denominação estaremos abrindo mão de romper seus limites e navegar pelo mundo das idéias sem apego à letra.

Em tal sentido Kardec é importante referência, uma vez que pela utilização de algumas expressões ou palavras parece haver contradição, que, pela análise do conjunto, se conclui por interpretação diversa mais coerente com seu pensamento.

Assim é o caso da palavra "dogma", utilizada por Kardec quando se refere ao "dogma da reencarnação". Fica evidente que ele a utilizou numa conotação diferente da consagrada pelas religiões. Não sendo assim, seria uma profunda contradição.

Existem outros exemplos na obra de Kardec em que ele deixou margem para uma interpretação distorcida, mas que, ao se analisar o conjunto da obra, percebe-se que ou as palavras tinham sentido diferente ou não foi bem explicado. Por isso é importante que criemos o hábito de consultar a Revista Espírita, onde, em minha opinião, a personalidade de Kardec é mais flagrante.

Não vejo, entretanto, problema nenhum em admitir que Kardec tenha cometido erros ou que estivesse impregnado pelo contexto social. Muito natural e humano!
Não há porque tentarmos freneticamente encontrar a verdade nas palavras de Kardec. Devemos sim buscar a verdade através delas, o que é muito diferente. No primeiro caso ficaremos restritos aos textos, tal como qualquer tipo de fundamentalismo. No segundo, estaremos apenas abrindo as portas para o conhecimento que é progressivo e infinito.

Ser espírita, portanto, não é um conceito acabado. Há, evidentemente, um consenso mínimo entre os espíritas, mas todos são diferentes entre si e se modificam com o tempo, não havendo autoridade que detenha o poder de definir quem é ou não ESPÍRITA.

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