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Resgatando um texto que escrevi para “O Pensador” por ocasião da passagem na televisão da novela “Alma Gêmea”, onde dizia que “o homem adora uma algema”, me referindo ao gosto que temos em transferir a terceiros as nossas responsabilidades. Assim, criamos “algemas” que tentam justificar a incapacidade de vencermos a nós mesmos e condicionam nossa liberdade a intervenções de entidades especiais.

As Igrejas possuem os seus sacramentos e eles se justificam para seus profitentes em função das suas crenças e dogmas, mas não há qualquer razão para que o Espiritismo copie qualquer um deles.

Entretanto, espíritas oriundos das organizações religiosas têm procurado introduzir nos centros espíritas práticas incompatíveis com a Filosofia legada por Allan Kardec, para satisfazer a si a ao grande público e seu gosto pelo culto exterior.

Na Bahia, José Medrado tem defendido a idéia do casamento nas casas espíritas no seu programa televisivo, tendo, inclusive, ingressado na justiça para ter reconhecido o direito aos efeitos legais conforme acontece com as cerimônias religiosas. Esta atitude não colabora em nada para o entendimento do Espiritismo, pois em vez de mostrar a sua feição de Doutrina libertadora, tenta, injustificadamente, equipará-lo às religiões.

Na mensagem recebida diretamente do citado companheiro, em resposta ao meu pedido de esclarecimento, o argumento utilizado, “o direito precisa ser salvaguardado, pois vivemos em um país laico”, possui uma distorção de entendimento. Ora, se desejamos defender a laicidade do Estado conforme prega a Constituição, devemos fazer exatamente o contrário: reivindicar que o ato religioso não tenha efeito legal.

Por menos inofensivo que possa parecer, qualquer evento que se realize nas instituições espíritas visando consagrar casamentos, nascimentos, etc., será visto pela sociedade como um sacramento espírita, distorcendo o entendimento do Espiritismo.

Tal opção abre precedente para o tácito reconhecimento do Espiritismo como Religião Institucionalizada, o que, por um lado encontra sérias restrições no seio do movimento espírita e, por outro, rompe definitivamente a possibilidade de inserir princípios espíritas nos diversos setores da sociedade, face às naturais barreiras segregacionistas e preconceituosas tão características das religiões.

Para evitar a assimilação de fórmulas, rituais e sacramentos próprios das religiões e todas as suas conseqüências, seria altamente conveniente que o Movimento Espírita assumisse definitivamente a sua laicidade, observando Kardec em sua última manifestação sobre o assunto enquanto encarnado, em novembro de 1868, quando definiu o Espiritismo simplesmente como “doutrina filosófica e moral”.

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