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Repassando alguns estudos e reflexões em torno desta temática delicada, percebi o quanto é difícil afirmar e definir questões tão amplas e complexas como esta. Mesmo assim, senti a necessidade de expressar meu entendimento sobre o assunto como uma forma de exercício dialético.

Há muito, já estive presente em discussões repetitivas e acaloradas quanto ao caráter do espiritismo, ou seja, quanto a sua definição: afinal, é o espiritismo uma religião? Para muitos espíritas, o Espiritismo é fundamentalmente uma religião, para outros ele é fundamentalmente uma ciência filosófica. Quem estará com a razão! Seriam os religiosos ou os cientistas/filósofos espíritas! É difícil dizer quem está com a razão. Mas, relembrando Leon Denis, acredito que seja possível estabelecer uma resposta convincente e coerente a esse respeito, diz: “O Espiritismo será o que dele fizerem os espíritas”. Portanto, dizer se o espiritismo é uma religião ou uma ciência filosófica, não resume, nem defini tudo o que ele é, nem o que ele pode ser, pois se as palavras do sábio Leon Denis estão corretas, outra questão surge como sendo mais desafiadora. Cabe-nos perguntar agora, se o que temos definido ser o Espiritismo nos basta. Se o Espiritismo que queremos é este que está posto. Se temos feito tudo o que nos é possível para dar ao Espiritismo o caráter que melhor define sua identidade e seu valor. No meu entender, estas são as perguntas que se desdobram da discussão sobre sua definição e seu caráter.

Em paralelo a tudo isto, uma outra definição surge para discussões também acaloradas, é a que diz ser o espiritismo o consolador prometido por Jesus. Como afirmação, podemos duvidar de sua autenticidade, mas como questionamento, podemos pensar sobre sua aplicabilidade. Assim como dizer se o Espiritismo é ou não uma religião, dizer que ele é o consolador prometido por Jesus não traduz, nem defini o que ele realmente é. Mas, na minha opinião, esta colocação diz que sua ação social é tão grande, que uma das características que mais se destaca nele, é a capacidade de consolar, aliviar, tranqüilizar e renovar as forças daqueles que dele necessitam. Esta capacidade é um reconhecimento atribuído a sua imagem e estrutura de doutrina consoladora.

Considerando ainda o que o seu mais ilustre pensador e fundador, Allan Kardec, disse a esse respeito, quando coloca que o Espiritismo confirma, explica e desenvolve tudo o que o Cristo disse e fez, realizando as promessas quanto ao consolador anunciado, podemos entender que não se trata, unicamente, de rotular o Espiritismo com uma marca religiosa, mas demonstrar para toda a sociedade vigente, que o Espiritismo não é apenas uma teoria especulativa do universo e das relações extra-corpóreas e sim, uma doutrina que fundamenta sua prática nos ensinos morais de Jesus, e assim sendo, “bem aventurados os que choram, porque serão consolados”.

Desta forma, dizer que o Espiritismo é o consolador prometido em nada diminui seu valor e seu caráter, pois se estamos constantemente avaliando e reavaliando nossas ações e buscando melhorias para o movimento saudável do Espiritismo, acredito que a expansão das idéias, bem como, de práticas cada vez mais contextualizadas e aprimoradas, teremos um Espiritismo ainda mais comprometido com a verdade, com a solidariedade e com as transformações sócio-culturais, no qual também somos responsáveis pelo que estamos fazendo ou deixando de fazer na grande teia universal.

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