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Os séculos XVIII e, em especial, o XIX foram marcados de uma profícua produção artística, política e histórica. Mais que isso: foram revolucionários por estabelecerem as bases da sociedade democrático-liberal iluminista e cientificista que herdamos hodiernamente.
Naquele contexto de euforia racionalista, onde a fé nos dogmas da Igreja foi substituída pela crença na ciência e no inexorável evolucionismo, a esperança depositada no século XX era enorme. A certeza de que o século que estava por se desenrolar seria um tempo de prosperidade, liberdade, riqueza e solidariedade, marcava profundamente os caracteres da época, impregnando-se nas ideologias e correntes de pensamento que nasciam. Marx ou Adam Smith. Auguste Comte ou Allan Kardec. Todos acreditavam na edificação de uma nova sociedade com o despontar da vigésima centúria.
Entretanto, vieram duas guerras mundiais. O mundo se bipolarizou em duas superpotências militares. Ditaduras, guerras civis, etc, etc. O fim das metanarrativas com a queda do muro da vergonha e adentramos em um novo conceito: a pós-modernidade foucaultiana.
E onde está a esperança? Onde está a coragem de lutar por uma sociedade mais igualitária? Não digo luta pela adoção do comunismo ou do capitalismo. Digo luta pela adoção do que é correto: a valorização da Dignidade Humana.
Nesta época de niilismo pós-modernista, em que a desilusão e o pessimismo são a moda das academias, sinto-me saudosista por uma época em que nem vivi. Certas ou erradas, as pessoas ao menos tinham uma bandeira para lutar. Não eram tão passivas, tão absurdamente frias com o que estava acontecendo no mundo. Mesmo quem não se interessasse diretamente por qualquer debate, no fundo, tomava partido de algum dos lados da discussão. Hoje as pessoas preferem ser “apolíticas”.
Sei que pareço meio pessimista. Não costumo ficar assim. Talvez seja uma crise de pós-modernismo momentânea. Ou, quem sabe, uma síndrome de Dom Quixote sem moinhos para combater. Mas, o fato é que não agüento mais ficar “sentado num trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”.

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