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Milton Rubens Medran Moreira, atual presidente da CEPA – Confederação Espírita Pan-Americana, inicia um dos seus textos dizendo que “De tanto repetir-se uma mentira, muitas vezes ela passa a ser tida como verdade” (Do livro “Espiritismo: O Pensamento atual da CEPA” – pág. 83), referindo-se às muitas afirmações que fazem a respeito da CEPA.

Algumas dessas afirmações são apenas repetições do que ouvem ou lêem sem a preocupação de conferir as fontes e refletir um pouco mais a respeito do assunto. Admite-se equívocos de pessoas comuns que não têm responsabilidade com a veracidade dos fatos, embora, de certa forma, todos sejamos responsáveis por tudo o que dizemos ou escrevemos. Mas em se tratando de pesquisadores, pressupõe-se que não partem de idéia preconcebida para tirar conclusões das suas avaliações.

A idéia de que a CEPA se “imiscui” não é nova. Ela foi alimentada pela Federação Espírita Brasileira já em meados da década de 90, quando aquela buscava uma aproximação com o movimento espírita brasileiro. Ora, a CEPA, Confederação Espírita Pan-Americana, é internacional. Tem configurado no próprio nome o um caráter “pan”, englobando todos os países das Américas (e de outros continentes); tem legitimidade e representatividade porque nosso país é democrático e permite o relacionamento amistoso entre os povos; atualmente a sua sede é no Brasil porque seu presidente é brasileiro. Além de tudo isso, o Espiritismo não é propriedade de ninguém, de nenhuma instituição, tem caráter universal e não tem fronteiras.

As principais identificações da CEPA com Kardec ― além, evidentemente, da própria Filosofia Espírita ― são de postura diante dos fatos e de todas as situações que se apresentam no decorrer da interatividade em ambas as faces da evolução. Assim é com relação às opiniões de espíritos encarnados ou desencarnados: “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos, nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau, que haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles. (Obras Póstumas – FEB – 18a ed. - pág. 296)

Sendo assim, não há motivo para dogmatizar nem Kardec nem Herculano Pires ou qualquer outro espírito encarnado ou não.

Nossa admiração por José Herculano Pires não é repentina e nem obsessiva. É racional e equilibrada. A questão religiosa nunca chegou a ser propriamente uma divergência, porque o significado herculaniano para o vocábulo religião é plenamente aceito no âmbito da CEPA. Como não existem palavras para designarem as diferentes concepções de religião, Kardec preferiu dizer “doutrina filosófica e moral”, Herculano diz “Ciência, Filosofia e Religião” e a CEPA diz “Ciência e Filosofia de conseqüências morais”.

A pura e simples afirmação de que Kardec disse que o Espiritismo é religião, no discurso de 1868, não reflete total honestidade intelectual, pois as palavras verdadeiras são: "Sim, semdúvida, senhores. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião,...” e, mais adiante, pergunta: "Por queentão declaramos que o Espiritismonão é uma religião?” (da "Revista Espírita" - 1868 - página 357). Ora, com isso se conclui que Kardec aceitava a filosofia da religião (parte moral), mas declarava que o Espiritismo não é religião pelo comprometimento da palavra com um significado já consagrado.

Na mesma página da citada revista, Kardec manifesta a sua última idéia sobre o assunto (desencarnou 4 meses depois): “Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral”.

Com esta breve argumentação e apesar de qualquer temor que possa encontrar abrigo nas mentes inseguras, a CEPA é sim livre-pensadora e pluralista porque não exclui, não segrega, não é anti-religiosa. Não entendemos por que é necessário haver barreiras entre laicos, religiosos, ateus, materialistas, uma vez que todos desejamos apanhar e divulgar em sua plenitude a moral decorrente da filosofia, em harmonia perfeita com a moral de Jesus, que, pasmem, a CEPA também aceita.

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