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"Atingir o ideal é compreender o real" Jean Jaurès
A CEPA – Confederação Espírita Pan-Americana passa por um momento histórico em várias partes do mundo por razões diversas. Em território brasileiro começa a ficar marcada uma fase de transição com características indispensáveis para se atingir o período da renovação social imaginado por Kardec em função de ações mais contundentes dos espíritas em face à inesperada inserção na agenda do controle social das políticas públicas via CNS - Conselho Nacional de Saúde.

O Movimento Espírita ainda está perplexo com a novidade, pois até então não havia precedente na história do Espiritismo no Brasil. As instituições espíritas sempre tiveram ― e ainda têm ― um modo próprio de desenvolver suas atividades junto às comunidades, quando não atuam em total alheamento à realidade social que as cerca.

As ações isoladas têm o mérito do amparo material e espiritual de caráter emergencial, nas lacunas deixadas pelo poder público. São paliativos que adiam o agravamento da situação de muitos, mas não resolvem as causas dos problemas, mantendo inúmeras famílias reféns da caridade alheia, ignorantes dos caminhos da cidadania e da dignidade humana. São ações que satisfazem os agentes sem modificar a realidade cotidiana dos assistidos e sem criar perspectivas inovadoras que lhes garantam a inserção social.

A inauguração deste novo momento da CEPA requer engajamento irrestrito das principais lideranças para coordenar ações conjuntas que sejam realmente representativas da sociedade e tratem as questões sociais inerentes à saúde como assuntos do interesse de todos os usuários do sistema de saúde pública vigente, de forma que se busque incansável e progressivamente a maior eficácia e abrangência, contemplando tanto a grande massa de necessitados quanto as minorias que freqüentemente ficam à margem dos recursos disponíveis.

Em nossas primeiras reuniões no CNS, pudemos constatar a dimensão da nossa responsabilidade uma vez que acima dos interesses da CEPA ou do Movimento Espírita, nos deparamos com o interesse maior da Nação Brasileira e, em especial, dos usuários do Sistema Único de Saúde, dos quais, em última análise, somos representantes.

Nossas convicções nos garantem o sucesso desde que coloquemos a serviço da comunidade as concepções de vida, de justiça e de saúde que norteiam aspirações profundas dos indivíduos e instituições que melhor assimilam a Filosofia Espírita.

Urgem, portanto, decisões inadiáveis que nos coloquem definitivamente nesse roteiro alternativo, sem descuidar dos compromissos anteriormente assumidos, mas contemplando pontos mínimos de discussão que deverão formar os elos das diretrizes a serem assumidas como responsabilidade institucional perante nossos representados.

Assim sendo, nada melhor do que começar por compreender a realidade vigente, através de eventos localizados em pólos de discussão onde poderiam ser pautados temas que nos esclareçam sobre a atual situação da saúde pública, suas demandas e principais urgências, assim como ações práticas que possam ser desenvolvidas nos limites de atuação de cada um individualmente e em conjunto com seu grupo social, para que o poder público tome conhecimento e apresente soluções a curto e médio prazo, partindo das sugestões da própria comunidade.

A CEPA, ao decidir por uma participação mais efetiva nas decisões nacionais, assume uma responsabilidade de grandes proporções que se refletirá no seu próprio futuro e nos rumos do movimento espírita. Portanto, a hora é agora; o tempo é o presente. Os Espíritas são instigados. Ou temos um projeto coletivo que fervilhe nos bastidores, calcado na mais sólida união de propósitos, sustentado pelos inamovíveis princípios espíritas, ou entraremos no processo cíclico das idéias que entram para a história como brilhantes, mas que não se concretizaram no seu tempo.

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