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Atualmente temos percebido alguns avanços no que se refere às ações de controle das práticas sociais, bem como, uma melhor elaboração das políticas públicas, mas estamos longe de afirmar que o nosso país é um país de justiça social para todos. Historicamente, o Brasil sofre com ações e ideologias que não incluem os menos favorecidos econômico-socialmente, apesar de ter índices alarmantes de injustiça social.

O Brasil com uma extensão territorial gigantesca, dividido em regiões como Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro Oeste, possui uma população estimada em mais de 180 milhões de habitantes, onde segundo os Indicadores e Dados Básicos de 2005 – IDB, 11% da população (de 15 e mais anos de idade) são considerados analfabetos. Ainda sob a regência dos números, temos 32% da população Brasileira com renda familiar até meio salário mínimo, formando um alarmante quadro de pobreza nacional; 24% da população Brasileira (de 15 e mais anos de idade) possui um grau de escolaridade inferior a 4 anos de estudo; 11% da população entre 10 e 14 anos de idade se encontra trabalhando ou em busca de trabalho, passando muitas das vezes a assumir a responsabilidade pelo sustento da família. Quando é que teremos um Brasil mais justo? É flagrante a desigualdade e as injustiças sociais em nosso país.

Certamente estes números não são agradáveis e nem meritórios para todos nós que buscamos transformar esta nação em um pátria de amor, paz e justiça social. Será que nós espíritas temos alguma relação com tudo isso? Será que nós também contribuímos para uma propagação destas injustiças ou para a não-ação socialmente includente? Será que podemos viver e conviver com o diferente, mesmo sabendo que este luta e labuta por condições mínimas de existência humana?

As minhas reflexões, são para chamar a atenção dos espíritas, que na sua maioria são escolarizados e informados, para a elaboração de estratégias de ação organizada e consistente, frente a essa postura de passividade que abate as melhores intenções, propostas e práticas alternativas de justiça social e humana. Se entendemos que o Espiritismo é libertador por essência, devemos transcender as paredes das Instituições Espíritas para influenciar positivamente em políticas públicas do nosso país.

Atualmente percebemos que as contribuições sociais das instituições Espíritas se dão como práticas isoladas do contexto social maior. É como se não houvesse uma percepção de que a promoção social local deve estar integrada numa parceira de ações públicas de âmbito maior. Ou seja, quando realizamos um trabalho de enxovais para mães gestantes, por exemplo, devemos nos perguntar se estas ações visam também à inclusão social destas mães “carentes”, numa política integrada de melhoria da qualidade de vida da população em que habita, com os benefícios sociais, culturais e espirituais includentes.

Não basta apenas dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. Não basta apenas dar alimentos, é preciso ensinar a como conseguir com seus esforços e conhecimentos o alimento e sustento de que precisa. Não basta entregar presentes em datas festivas, mas criar uma ação solidária constante de melhoria das condições sócio-econômicas destes necessitados. Não basta dizer: senhor, senhor, mas é preciso conquistar o reino dos céus através de práticas amorosas e mudanças de atitude . As ações de caridade praticadas nos centros espíritas devem ser mais persuasivas e solidárias na construção das condições humanas ideais da população Brasileira.

Em O Livro dos Espíritos, Livro III, capítulo III, Lei do trabalho, referente à questão 685, Kardec faz um extenso comentário que diz no seu final: “A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse é o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos”.

Portanto, a participação e contribuição social consciente dos espíritas no âmbito das políticas públicas do Brasil, devem constituir um esforço continuado de cada um dos atores sociais, para uma mudança nos quadros flagrantes de injustiça social, e ao mesmo tempo, propor alternativas de seguridade, de controle e de gestão dos benefícios sociais includentes da população menos favorecida sócio-economicamente. Esta participação deve ser uma atitude propositiva de cidadania, onde os valores éticos, morais e espirituais estarão presentes e atuantes nas relações sociais.

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