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Cotidianamente falando, a Sombra refere-se a um local onde não bate sol, que tem ausência da luz solar. Esta definição de sombra é coerente com várias outras definições dadas pelos dicionaristas. Sob um calor intenso e um sol de queimar os tecidos da pele, a sombra de uma árvore frondosa, com um pote de água fresca é tudo o que se deseja para aliviar a pressão que o clima produz na gente. Mas a sombra neste caso é um espaço menos iluminado, onde não bate luz direta, produzindo um sensação de alívio imediato dos efeitos solares que incidem sobre nós. Como por exemplo, quando chega a noite e a lua interpõem-se, coloca-se entre o sol e a terra, obstruindo a incidência dos raios solares sobre o planeta e seus habitantes, produzindo sombra. Tudo na Natureza se encadeia e se relaciona para manter a ordem e o equilíbrio.

Numa perspectiva psicológica da noção de Sombra e dos seus diversos efeitos sobre o homem, o eminente médico psiquiatra Carl Gustav Jung abordou este tema de maneira profunda afirmando que a Sombra é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material reprimido da consciência. A Sombra inclui tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo. Representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade, que negligenciamos ou não queremos desenvolver em nós. A Sombra é como um quarto de despejo, escuro, desarrumado e sombrio pelos aspectos da negligência.

Uma vez que negamos o acesso à consciência de experiências desagradáveis, que reprimimos e desconsideramos nossos aspectos pessoais mais tenebrosos, conflitantes e de difícil aceitação em nós mesmos, tendemos a projetá-los nos outros. A projeção é o processo defensivo da imagem pessoal que fazemos de nós, pela qual reconhecemos nos outros de nossa relação, os defeitos, os desequilíbrios e invirtudes que não conseguimos atribuir como pertencentes a nossa estrutura de personalidade. Este processo defensivo de projeção, somados a outros, acontece sem que tenhamos consciência de sua ação.

A Sombra é um aspecto da nossa personalidade, não é a totalidade de nossa personalidade. Ela não precisa ser negada ou negligenciada para deixar de agir nocivamente no comportamento humano, ela precisa ser reconhecida e resignificada para uma integração e funcionamento pleno do ser total que somos. Quanto menos consciente estamos dos nossos aspectos sombrios, mais a Sombra adquire poder dominador. Sua ação é inversamente proporcional a ampliação da consciência. Já diz um mantra vulgarmente conhecido: “onde existe luz não pode haver escuridão”. O consciente e o inconsciente não estão em oposição, mas complementam-se para formar uma totalidade: o self ou Espírito.

Portanto, o desconhecimento ou a negligência em não querer descobrir as entranhas e o lado obscuro de nós mesmo, pode custar mais prejuízo do que benefício. Se olharmos para o presente, verificando que o passado e o futuro se interrelaciona formando o nosso contexto atual de existência, podemos entender que a nossa história vida reencarnatória em diversos mundos e lugares, convivendo com diversas pessoas, influenciando e sendo influenciado por vários aspectos sociais, culturais, biológicos, psicológicos e espirituais, são determinantes para o desenvolvimento do Espírito imortal que somos, onde tudo mantém relação com tudo. Em face da busca do nosso auto-conhecimento, realizando a conquista de nós mesmo, descobrindo as lacunas, as falhas e as imperfeições pessoais existentes, estamos nos recriando rumo a uma vida mais plena e mais harmonicamente prazerosa.

GEYLSON KAIO, Psicólogo Clínico, Membro Fundador da ASSEPE.

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