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A pós-modernidade tem lá seus paradoxos. Aliás, o contraditório parece ser uma característica marcante do presente contexto histórico. É incrível que a engenharia espacial tenha construído potentes telescópios para observar estrelas a milhões de quilômetros e, contudo, o homem contemporâneo se mostre, muitas vezes, incapaz de enxergar as coisas mais triviais e essenciais do cotidiano.

Tornamo-nos cegos com olhos sadios. Evoluímos muito em técnicas e tecnologias, mas ainda somos aprendizes na busca e no reconhecimento da nossa essência, princípio indispensável à construção de um relacionamento social ético e baseado no inquestionável dever de respeito às diferenças.

Fechamos os olhos para os absurdos da intolerância, do preconceito. Recusamos-nos a enxergar o dever existencial que cada indivíduo tem perante às conquistas e perdas da sociedade, entendendo que uma vida justa e digna é uma busca que a todos compete.

Pior ainda é quando abrimos mão de nossa indubitável condição humana e a liberdade a ela inerente para nos deixarmos envolver, sem qualquer questionamento, por discursos ideológicos que nos cegam ainda mais. Culpamos os políticos, concordamos com o apresentador que manda a polícia agir com violência no combate à criminalidade, mesmo que isso seja um patente desrespeito aos direitos humanos, achando que isso é ter consciência política. E, no entanto, não percebemos que o bem-estar coletivo, a vivência em uma sociedade verdadeiramente democrática, exige uma visão que desenvolva em nós o espírito de solidariedade e coletividade a partir da noção de dignidade humana como o centro de todas as ações.

Querer a lucidez. Abrir os olhos para perceber que a ética e a solidariedade são mais que deveres, são necessidades que exigem o nosso despertar na busca pela efetivação de nossa dignidade. Não basta apenas olhar é preciso ver e se sentir responsável pelo que está vendo. Reflitamos com Saint-Exupèry: "o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração".

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