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Nos últimos dias, senti a necessidade de estudar um pouco mais sobre a questão que trata da alienação. Palavra usual nos movimentos políticos e sociais do Brasil e do mundo, o termo alienação refere-se a vários sentidos, quer sejam filosófico, políticos, sociais e até do senso comum. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, versão 1.0, a palavra “alienação é um substantivo feminino”, que se refere a: “ato ou efeito de alienar(-se); alheação, alheamento, alienamento”. No sentido jurídico do termo, refere-se a “transferência para outra pessoa de um bem ou direito; estado resultante do abandono ou privação de um direito natural” (ex. a liberdade). No sentido filosófico, social e político do marxismo, este termo se refere a: “processo em que o ser humano se afasta de sua real natureza, torna-se estranho a si mesmo na medida em que já não controla sua atividade essencial (trabalho)”.

No sentido de uso informal ou mesmo do senso comum, alienação retrata a “indiferença aos problemas políticos e sociais; a desorientação quanto ao comportamento e ás convicções pessoais, sensação de absurdo existencial”. Enfim, vários são os sentidos que o termo alienação abarca, mostrando que em nossa vida cotidiana, podemos estar alienados e/ou alienando pessoas ou grupos, que direta ou indiretamente, se relacionam conosco.

Ainda aprofundando os conceitos de alienação, verifiquei que uma psicopatologia se relacionar com este citado conceito, é um outro substantivo feminino chamado alucinação. Alucinação se refere a uma perturbação mental, impressão falsa da realidade, devaneio, delírio, ilusão, etc. Resumindo, em suas utilizações mais comuns, a alienação pode ser definida como a incapacidade de um ou mais indivíduos de perceber os fundamentos das relações que são estabelecidas entre eles.

Neste sentido, percebo que o movimento espírita ou o movimento do espiritismo, que é formado por pessoas, que no seu perfil mais abrangente, são pessoas que possuem uma boa qualificação profissional, bons conhecimentos culturais, sociais, acadêmicos e que mesmo assim, através de atitudes exclusivistas e prepotentes, se relacionam uns com os outros sem se perceberem alienados e/ou alienadores. Não me refiro aqui, evidentemente, a todos os espíritas, mas apenas aqueles que usam do discurso da superioridade, na relação que estabelece com os demais espíritas e não espíritas, criando uma certa “casta” de escolhidos pelo Senhor ou pelos Espíritos pseudo-sábios, que insuflam o ego e massificam, no plano físico e extra-físico, as fragilidades humanas e existenciais.

É com pesar que vejo no discurso alienado de pessoas e grupos, de várias as idades e posições sociais, quando se referem ao espiritismo com um olhar de alheamento aos problemas sociais, ambientais, políticos, culturais e espirituais diversificados.

Portanto, é necessário trabalharmos com urgência pela causa espírita com senso crítico, com responsabilidade sociocultural e espiritual includente, estabelecendo uma nova dinâmica de relacionamento entre nós. Esta nova dinâmica de relacionamento fundamenta-se nos caminhos alteritários, onde o respeito pelo diferente, não significa abandono de nossas convicções ou práticas. Essa nova dinâmica no meio espírita, mais especificamente, refere-se a uma relação onde o outro (que é diferente de mim), possui conhecimentos, experiências e práticas louváveis para a criação de um mundo harmônico e amoroso, onde os princípios do homem de bem transcendem os rótulos e estigmas, onde as barreiras ideológicas, filosóficas e espirituais são menos importantes do que a vivencia e a convivência fraterna entre as pessoas. Desta forma, pensando numa ética universalista, acredito que não alcançaremos o ideal comum da paz, do amor e da fraternidade entre as pessoas se não implantarmos uma real condição de relacionamento aberto, sincero e alteritário entre todos os espíritas e não espíritas, onde os valores não serão medidos pelo conhecimento que se possui, mas pela prática que se estabelece.

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