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Como tem sido muito comum no último quarto de século, a televisão vem ditando moda e modismos. Hoje está na boca do povo o mito da alma gêmea em virtude da novela que está sendo apresentada pela Rede Globo.

Não sei quais as filosofias e religiões aceitam como verdadeira a existência das almas gêmeas. Mas o certo é que, vez por outra, o assunto aparece nos meios de comunicação e nas mais diversas formas de literatura, refletindo uma realidade intrigante, controversa e paradoxal em que o homem aparece como refém de um sonho romântico que povoa sua mente e lhe oprime o peito na ânsia da busca por sua suposta “metade”, como se fosse um ser incompleto, vislumbrando uma felicidade desconhecida, mas profundamente almejada. Interpreto isso como uma inquietação diante dos mistérios que, por ignorância, não consegue desvendar e, de tropeço em tropeço, tateia o limiar da espiritualidade para encontrar a própria identidade.

Até se aceita a visão romântica dos casais apaixonados ou de corações carentes de amor, atribuindo-se incompletude em face à ausência do ente amado. Compreende-se o refrigério proporcionado à alma humana, ainda muito egoísta, em face à possibilidade de um amor exclusivo.

O homem sonha com isso! Ele adora uma “algema”!
Em todos os tempos, a religião, fascinada pela hegemonia do poder, tem assumido o papel de indutora da fé cega, irrefletida, levando o homem a ver fora de si a solução para seus problemas, como se fosse simples fantoche nas mãos do Criador. Assim, com essa passividade, essa dependência generalizada, esse conformismo, fica muito fácil o indivíduo considerar-se incompleto e sonhar com uma alma gêmea (ou seria algema?) que venha completá-lo. Não percebe que toda a felicidade, toda solução, toda virtude, está, potencialmente, dentro de si mesmo.

Hoje já não é mais segredo para ninguém que existe uma “Ciência do Espírito”. A não ser, é claro, para os fundamentalistas, sejam da Religião, sejam da Ciência acadêmica, que se recusam a admitir a realidade extra-sensorial. Nela encontramos as respostas para os questionamentos que nos afligem. Com ela podemos nos aperceber que gêmeos somos todos nós. Ou seja, cada um pode considerar sua alma gêmea todas as demais e a tão esperada felicidade está lá no futuro nos esperando, quando todos tivermos adquirido em moralidade e intelectualidade o suficiente para vivermos em harmonia.

O futuro nos pertence e é construído por nós mesmos através de vivências e experiências diversas. Nascer, viver e morrer são meros estágios no campo biológico. Importantes sim, uma vez que aprender a conviver com suas limitações e exigências faz parte do processo de crescimento. A essência espiritual é que sobrevive altaneira, soberana, a cada etapa vencida. Não é, entretanto, nem salutar ao indivíduo, à sua independência e ao seu livre-arbítrio, nem fiel à justiça e sabedoria infinitas da “inteligência suprema do universo, causa primária de todas as coisas”, como quer que a denominemos, “algemar” a alma humana a uma outra como se fossem ambas incompletas. Este é mais um mito, similar ao de Adão e Eva, criado sob a égide da religião e incentivado através dos tempos pelos que desejam ter sempre a população sob controle, mergulhada na ignorância e sempre dependente do outro para a solução dos seus problemas.

A algema boa é aquela que nos liga todos numa só irmandade em que cada um é um ser completo que conserva sua individualidade pelo infinito afora.

Portanto, bendita seja a algema que nos liga uns aos outros nas experiências cotidianas, mas, sobretudo, bendita seja a chave do conhecimento, da sabedoria, do discernimento, que abrem os grilhões que nos mantém presos àqueles que se recusam a aceitar as transformações e procuram colocar obstáculos ao livre curso da evolução.

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