Os Jogos Olímpicos de Pequim, como os outros, celebram, além do poderio econômico envolvido, uma festa de paz, alteridade, harmonia entre os povos e muita superação física e psicológica.
Uma festa para celebrar a convivência pacífica entre a diversidade num pequeno espaço, como num sonho que a sensatez imagina. Todos juntos, respeitando-os uns aos outros, mostrando-se como são, independente de língua, cor, raça, credo ou o que seja. Como se o sonho da aceitação incondicional de Carl Rogers se fizesse presente. São ovelhas sem pastor. Aliás, para que pastor, senão para homogeneizar? Humanos parecidos em situação, diferentes entre os iguais no respeito do conviver com o outro, mesmo que esse outro será oponente mais adiante.
Momentos de festa entre os povos fazem-nos lembrar que podemos ser assim. Basta escolhermos ser assim, independe de minha situação, como diz Viktor Frankl, mesmo diante ao que me parece inevitável, posso escolher passar com dignidade. Escolhamos a paz.
Estando juntos na festa não para esconder as fraquezas e as falhas sociais existentes, mas para mostrar-se face a face e dizer que posso fazer algo mais para mudar a situação, que pode ser melhor, ainda que pareça muito difícil.
Longe de ser uma situação alienante, onde parece que está tudo bem no mundo (e não está), os Jogos Olímpicos mostram que é possível fazer diferente do que já foi feito; que os diferentes povos têm diferentes percepções do mundo e de sua dinâmica. Entender essas diferenças faz toda diferença. Sejamos diferentes; movamos em uma outra direção. A Olimpíada nos chama para superarmos o preconceito e vermos o diferente, apenas como diferente. É hora de superação. Superemos as barreiras da ignorância e da insensibilidade, para fazer diferente, com o diferente.

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